O deputado federal Alfredo Gaspar (PL-AL) foi anunciado nesta quarta-feira (5) como candidato a vice-presidente na chapa encabeçada por Flávio Bolsonaro (PL-RJ). A escolha marca a formação de uma chapa totalmente composta por integrantes do Partido Liberal após o fracasso das negociações para atrair partidos do Centrão.
Gaspar, de 55 anos, é deputado federal desde 2023, ex-procurador-geral de Justiça e ex-secretário de Segurança Pública de Alagoas. O parlamentar ganhou projeção nacional ao atuar como relator da CPMI do INSS e foi apresentado por Flávio Bolsonaro como um nome ligado à segurança pública, ao combate à corrupção e com potencial para ampliar o alcance da campanha no Nordeste.
PF pede autorização para investigar denúncia
A escolha de Alfredo Gaspar recolocou em evidência uma acusação de estupro de vulnerável apresentada à Polícia Federal por parlamentares da oposição.
O pedido para abertura de inquérito foi encaminhado ao Supremo Tribunal Federal (STF) e está sob relatoria do ministro Gilmar Mendes. Até o momento, porém, o magistrado ainda não autorizou a investigação e aguarda diligências complementares da Polícia Federal e manifestação da Procuradoria-Geral da República (PGR).
Segundo os documentos apresentados pelo deputado Lindbergh Farias (PT-RJ) e pela senadora Soraya Thronicke (Podemos-MS), o caso teria ocorrido há cerca de oito anos e envolveria uma adolescente de 13 anos.
As alegações ainda não foram confirmadas pela Justiça e, até o momento, Alfredo Gaspar não é investigado formalmente pelo STF nesse caso.
Deputado nega acusações
Gaspar afirma que as acusações são falsas e atribui a divulgação do caso a uma retaliação política em razão de sua atuação como relator da CPMI do INSS.
Segundo o parlamentar, os fatos mencionados pelos denunciantes envolvem outras pessoas e não têm relação com ele. O deputado informou ainda que realizou exame para obtenção de seu perfil genético e ingressou com ações no STF contra Lindbergh Farias e Soraya Thronicke por calúnia, injúria, denunciação caluniosa e coação no curso do processo.
A campanha de Flávio Bolsonaro classificou as acusações como “levianas” e defendeu o arquivamento do caso.
Auditoria do TCU
Além da controvérsia envolvendo o pedido de investigação, Alfredo Gaspar também é citado em uma auditoria do Tribunal de Contas da União relacionada a três emendas parlamentares destinadas ao município de São José da Laje (AL), que somam aproximadamente R$ 6,2 milhões.
Auditores apontaram falhas na rastreabilidade dos recursos e ausência de informações obrigatórias sobre a execução das verbas.
O deputado nega qualquer irregularidade e afirma que sua responsabilidade limitou-se à indicação das emendas, cabendo ao município a execução e prestação de contas dos recursos.
A Procuradoria-Geral da República arquivou representação que buscava responsabilizá-lo pessoalmente, por não encontrar elementos concretos contra o parlamentar. Entretanto, a auditoria administrativa sobre a aplicação dos recursos continua em andamento no TCU.

