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Pré-candidato Fábio Trad lamenta que tarifaço de Trump tire bilhões de MS

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O pré-candidato ao Governo de Mato Grosso do Sul, Fábio Trad (PT), afirmou, nesta quinta-feira (16), que a sobretaxa de 25% imposta pelo governo dos Estados Unidos sobre parte das exportações brasileiras pode provocar perdas bilionárias para a economia sul-mato-grossense. Segundo ele, embora a carne tenha ficado de fora da medida, outros segmentos importantes da produção estadual devem ser afetados.

Na avaliação de Trad, a decisão do governo norte-americano extrapola a esfera comercial e possui motivação política.

“Essa taxação representa bilhões de reais a menos no nosso PIB e atinge diretamente o Mato Grosso do Sul. Afeta o ferro-gusa, com o qual trabalhamos fortemente aqui, e atinge também tudo aquilo que circunscreve a agroindústria relacionada aos produtos primários do nosso Estado”, afirmou.

Para o pré-candidato, o Brasil deve manter uma postura firme diante da medida. “Espero que o presidente Lula mantenha sua firmeza, e nós brasileiros não nos curvemos a essa política de chantagem”, declarou.

Mudança no modelo econômico

Durante a entrevista, Fábio Trad também defendeu uma transformação no modelo de desenvolvimento econômico adotado por Mato Grosso do Sul. Segundo ele, o Estado depende excessivamente da exportação de commodities e precisa investir na industrialização, tecnologia e pesquisa para agregar valor à produção.

“O Mato Grosso do Sul insiste em um erro capital, que é o modelo econômico agroexportador de produtos primários. A remuneração é baixa e a empregabilidade é pequena porque a atividade é extremamente mecanizada. Nós precisamos agregar valor aos nossos produtos primários, conectando tecnologia à nossa vocação agrícola. O século XXI é cerebral, é da inovação e da pesquisa”, disse.

Como alternativa, o petista propôs o fortalecimento de incubadoras, aceleradoras e agências de inovação para ampliar a geração de emprego e renda.

Críticas aos indicadores sociais

Fábio Trad afirmou ainda que, apesar dos indicadores econômicos divulgados pelo governo estadual, o crescimento não estaria sendo acompanhado por melhorias nas condições de vida da população.

Segundo ele, Mato Grosso do Sul registra estagnação no Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) e possui índice de extrema pobreza de 17,7%, cenário que, na avaliação do pré-candidato, contribui para problemas nas áreas de segurança pública, saúde e educação.

Segurança pública

Na área da segurança, Trad afirmou que existe déficit de efetivo nas forças policiais. Segundo ele, faltam cerca de 40% dos policiais civis e 45% dos policiais militares, o que representaria aproximadamente 5,5 mil profissionais. O pré-candidato também defendeu a retomada do Sistema Integrado de Monitoramento de Fronteiras (Sisfron), em parceria com o Governo Federal, além do fortalecimento das ações de inteligência para combater o crime organizado.

Ele ainda citou o aumento dos casos de feminicídio e os conflitos envolvendo povos indígenas como desafios que, segundo ele, exigem maior atuação do poder público. 

Saúde e renúncia fiscal

Na saúde, Fábio Trad voltou a defender a implantação da distribuição gratuita de cannabis medicinal pelo SUS e atribuiu a dificuldade de ampliar investimentos à política de incentivos fiscais do Estado. Segundo o pré-candidato, mais de 50% da arrecadação tributária estadual é objeto de benefícios fiscais, o que, conforme sua avaliação, representa cerca de R$ 12 bilhões que poderiam ser destinados a hospitais e programas sociais.

Educação

Ao abordar a educação, Trad citou o déficit de vagas em creches municipais em Campo Grande e a possibilidade de paralisação dos professores como exemplos dos desafios enfrentados pelo setor. Ele também criticou a terceirização do ensino técnico e defendeu maior integração entre o Governo do Estado, universidades públicas — como UFMS, UEMS e UFGD — e o Instituto Federal de Mato Grosso do Sul (IFMS) para fortalecer a formação profissional.

Ao encerrar a entrevista, Fábio Trad afirmou que pretende construir um governo voltado à inclusão social e à ampliação da participação de grupos historicamente excluídos, como indígenas, quilombolas, assentados, acampados e mulheres vítimas de violência doméstica.
 

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