Ao falar sobre a operação e o teor da investigação ‘Buraco Sem Fim’ que apura fraude no sistema de tapa-buracos em Campo Grande, a prefeitura ‘jogou a culpa’ na gestão de Marquinhos Trad.
“Esclarecemos que se refere a contratos de manutenção de vias pavimentadas firmados desde 2017, em gestão passada”, diz o texto.
Porém, a informação divulgada pelo MPMS (Ministério Público de Mato Grosso do Sul) aponta que os contratos foram firmados entre 2018 e 2025, incluindo a gestão da atual prefeita Adriane Lopes (PP), que assumiu Campo Grande em abril de 2022 e deu continuidade aos contratos.
Conforme apuração do MPMS, a empresa contratada para realizar o serviço recebia os valores firmados em contrato, mas não estava efetivamente tapando os buracos de Campo Grande.
Por conta disso, a cidade ficou ao longo dos anos parecendo um queijo suíço, piorando há algum tempo, conforme mostrado em várias denúncias encaminhadas ao TopMídiaNews por campo-grandenses.
Exoneração
Os servidores Edivaldo Aquino Pereira, Mehdi Talayeh e Fernando de Souza Oliveira serão exonerados da Sisep (Secretaria Municipal de Infraestrutura e Serviços Públicos) após serem presos durante operação que investiga corrupção no setor de tapa-buracos da prefeitura.
Ainda em nota encaminhada para reportagem, a Prefeitura de Campo Grande detalhou que os “servidores investigados estão sendo exonerados das funções a partir da data de hoje para que apresentem suas defesas”.
Além disso, colocou-se à disposição do MPMS (Ministério Público de Mato Grosso do Sul) para esclarecimentos necessários a respeito do caso.
“Outras medidas que se fizerem necessárias serão adotadas no âmbito administrativo, para que os serviços de manutenção não sejam paralisados ou comprometidos em função dos acontecimentos”, detalhou a nota.
Operação
O Ministério Público de Mato Grosso do Sul (MPMS), por meio de forças especiais como o Gecoc e o Gaeco, deflagrou nesta terça-feira (12) a Operação “Buraco Sem Fim”, que investiga um esquema de fraudes em contratos de manutenção de vias públicas em Campo Grande.
Ao todo, foram cumpridos 7 mandados de prisão preventiva e 10 de busca e apreensão. Durante as buscas, os agentes encontraram grandes quantias em dinheiro vivo, que somam pelo menos R$ 429 mil, incluindo R$ 186 mil na casa de um servidor e R$ 233 mil em outro endereço.
Segundo o MPMS, a investigação aponta a existência de uma organização criminosa responsável por fraudar medições e pagamentos de serviços de tapa-buracos, resultando em desvio de recursos públicos e prejuízo à qualidade das vias da Capital.
Os levantamentos indicam que a empresa investigada recebeu mais de R$ 113 milhões em contratos e aditivos entre 2018 e 2025. As apurações seguem em sigilo.

