quarta-feira, novembro 4, 2026

‘Proteger esses animais é proteger a própria vida do planeta’, afirma Lula na COP15

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Em seu discurso de abertura da COP15, a 15ª Conferência das Partes da Convenção sobre a Conservação das Espécies Migratórias de Animais Silvestres, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou que a proteção da biodiversidade mundial é um compromisso coletivo e defendeu a formulação de um acordo internacional para a proteção do bioma Pantanal e das rotas de aves migratórias. O discurso foi realizado na noite deste domingo (22). 

Segundo o presidente, desde 2023 o Brasil desempenha um papel de proteção ambiental, com foco na preservação e produção sustentável.  Entre as ações realizadas, o presidente Lula relembrou a reinstituição do Arcabouço Institucional e das Políticas Ambientais, que haviam sido suprimidos. Em sua fala, o presidente afirmou que as ações geraram como resultado a redução de 50% do desmatamento na Amazônia e de 30% no Cerrado. 

O presidente apontou que foram implementadas três novas medidas em razão da COP15, sendo elas a criação da reserva Córregos dos Vales do Norte de Minas Gerais, a ampliação da a área do Parque Nacional do Pantanal em 47 mil hectares e da área da Estação Ecológica de Taiamã em 57 mil hectares. 

“Esta COP15 ocorre em um momento de grandes tensões geopolíticas. Ações unilaterais, atentados à soberania e execuções sumárias estão se tornando a regra. Nos seus oitenta anos, a ONU teve atuação importante nos processos de descolonização, na proibição de armas químicas e biológicas, na recomposição da camada de ozônio, na erradicação da varíola, na afirmação dos direitos humanos e no amparo aos refugiados e imigrantes.  Mas o Conselho de Segurança tem sido omisso na busca por soluções de conflitos”, afirmou o presidente. 

Lula afirmou que a ‘migração é natural’ e reforçou a necessidade da cooperação internacional para a criação de políticas de acolhimento e avanço coletivo da defesa da natureza e da humanidade.

Sobre a  Cop15

Lula veio à Campo Grande para sessão especial da COP15, a 15ª Conferência das Partes da Convenção sobre a Conservação das Espécies Migratórias de Animais Silvestres.O evento acontece de 23 a 29 de março de 2026, em Campo Grande (MS).

O evento recebe mais de duas mil pessoas, englobando representantes de governos, organismos internacionais, especialistas, sociedade civil, povos indígenas e comunidades tradicionais. Esta é a primeira vez que o Brasil sedia a reunião global. A escolha do município posiciona o Pantanal como território simbólico e político da agenda de conectividade ecológica.

O Brasil exerce a presidência da conferência de forma inédita desde o seu ingresso no acordo. O secretário-executivo do MMA (Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima), João Paulo Capobianco, toma posse como presidente da COP15 durante a programação. O país recebe a liderança formal do Uzbequistão, sede da edição anterior do evento.

A comitiva brasileira atua na liderança e coliderança de sete propostas para adicionar novas espécies aos anexos de proteção internacional e de ameaça de extinção. Os pedidos envolvem peixes como o pintado, o cação-cola-fina e o cação-anjo-espinhoso. O grupo de aves sugerido abrange petréis, o caboclinho-do-pantanal e as espécies maçarico-de-bico-torto e maçarico-de-bico-virado.

O governo nacional também apresenta propostas de planos de ação para a proteção de bagres migratórios amazônicos, construídas em cooperação com Bolívia, Colômbia, Equador, Peru e Venezuela. A pauta inclui ações concertadas voltadas à conservação da toninha, do boto-de-Lahille e de espécies de tubarão. Os debates buscam mitigar a perda de habitat e a sobre-exploração, classificadas como as principais ameaças aos animais migratórios.

 

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