quinta-feira, setembro 17, 2026

São Paulo registra recorde de mortes de motociclistas; casos envolvendo ciclistas voltam a crescer

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FÁBIO PESCARINI
SÃO PAULO, SP

A alta foi de 6,4% em relação ao período de janeiro a agosto de 2025, quando 314 pessoas que estavam em motos morreram. O número atual supera os 321 registros de 2021, até então o recorde.

Ao mesmo tempo, as mortes de ciclistas também cresceram na cidade. Segundo dados do Detran-SP (Departamento Estadual de Trânsito), foram 23 casos nos primeiros oito meses deste ano, contra 18 no mesmo período de 2025.

No geral, o trânsito paulistano registrou leve queda de 0,7% nas mortes, de 678 para 673 óbitos nos dois períodos comparados.

Para efeito de comparação, a frota de motos cresceu 3% entre julho do ano passado e julho de 2026, dado mais recente disponível, contra 1,4% de todos os veículos.

Especialistas apontam que há uma tendência de alta nas estatísticas de mortes de motociclistas no município e que a falha na fiscalização de velocidade é uma das principais causas.

“O trânsito na cidade tem ficado mais violento”, afirma Luis Fernando Villaça Meyer, diretor de Operações do Instituto Cordial e estudioso do assunto. “Isso tem a ver com gestão de velocidade, intervenções em pontos críticos e manutenção de infraestrutura.”

Em nota, a CET (Companhia de Engenharia de Tráfego) cita a faixa azul, sinalização no asfalto para circulação exclusiva de motocicletas, como ação para reduzir o número de acidentes.

Segundo a gestão Ricardo Nunes (MDB), são 46 vias, beneficiando cerca de 500 mil motociclistas por dia. “Há ainda frentes seguras [nos semáforos] para motos”, diz trecho do texto.

No caso dos ciclistas, a estatística de óbitos voltou a crescer após um ano de queda. Em 2024, foram 31 casos, o maior número da série histórica.

Atualmente, a cidade tem cerca de 800 km de ciclovias e ciclofaixas. Em julho, a Prefeitura estabeleceu como meta chegar a 1.000 km de malha cicloviária até 2028.

Para Rafaella Basile, coordenadora de Mobilidade e Vias Seguras da Iniciativa Bloomberg para Segurança Viária Global, o aumento médio da rede cicloviária, de 30 km por ano, é baixo para uma cidade com quase 20 mil km de vias.

“Existe um crescimento visível de entregadores de aplicativo usando bicicleta, inclusive elétricas e outros veículos autopropelidos, mas a infraestrutura não está acompanhando esse ritmo”, afirma.

Dados do monitoramento de viagens da organização Ciclocidade, apresentados recentemente na Câmara Municipal, mostram que, atualmente, 83,3% dos ciclistas que circulam pela cidade são entregadores com bags (bolsas) nas costas.

O diretor do Instituto Cordial diz não ser possível cravar uma explicação única para o aumento de ciclistas mortos na cidade. Mas afirma que o perfil das pessoas que usam bicicletas comuns, elétricas e veículos autopropelidos tem se “transformado bastante” nos últimos três anos na capital, e esse pode ser um fator.

“A infraestrutura cicloviária atual não foi desenvolvida para uso de bicicleta elétrica.”

No mês passado, a administração municipal limitou a 20 km/h a velocidade de bicicletas elétricas em ciclovias e ciclofaixas. Esses veículos, entretanto, estão espalhados por todo o trânsito, nem sempre cumprem as regras e circulam, inclusive, em calçadas.

Não há dados exclusivos do município, mas, segundo a Abraciclo, associação que representa os fabricantes, foram produzidas 43,1 mil bicicletas elétricas entre janeiro e julho de 2026 no país, alta de 77,3% em relação ao mesmo período de 2025. Elas já representam 21,5% de toda a produção.

Questionada sobre investimentos na segurança de pessoas que pedalam pelo município, a Prefeitura não citou a ampliação de ciclovias e ciclofaixas. Porém, afirmou contar com ações voltadas a todo o sistema viário e à redução de acidentes envolvendo motoristas, pedestres, motociclistas e ciclistas.

A companhia cita o Programa Operacional de Segurança em pontos com maior índice de acidentes, além da implantação de áreas calmas, onde o limite de velocidade é de 30 km/h, rotas escolares seguras, ampliação do tempo de travessia, das faixas de pedestres e das travessias elevadas, além da implantação de minirrotatórias.

“A CET também monitora diariamente os acidentes e reforça a fiscalização com equipes em campo, presença de agentes em cruzamentos, uso de equipamentos eletrônicos e painéis informativos, além da realização de campanhas educativas durante todo o ano”, afirma a nota.

Em todo o estado, houve queda de 5,5% nos óbitos, com 3.900 mortes registradas em 2026. Apenas os casos envolvendo motociclistas, que somaram 1.830, tiveram alta, de 1,9%.

Também em nota, o Detran afirmou que tem trabalhado de forma contínua com ações de fiscalização e educação, visando ao aumento da segurança viária em todo o estado.

“O foco das ações são os públicos mais vulneráveis, como pedestres, ciclistas e motociclistas”, diz o órgão de trânsito.

“Nas campanhas voltadas a ciclistas e motociclistas, por exemplo, o Detran enfatiza a importância do uso de equipamentos obrigatórios e da circulação em vias seguras para evitar sinistros, respeitando os limites de velocidade.”

São Paulo registrou 48 mortes de motociclistas em julho, maior número mensal desde o início da série histórica do Infosiga. Nos primeiros sete meses de 2026, foram 286 óbitos, enquanto a frota de motos também avançou na capital paulista

| 16:40 – 21/08/2026

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