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Tarcísio é criticado por promessa de indultar Bolsonaro em primeiro ato

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SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) – A defesa de Tarcísio de Freitas (Republicanos) a Jair Bolsonaro (PL), com a promessa de conceder um indulto ao ex-presidente caso seja eleito à Presidência da República, virou uma munição para a esquerda explorar em uma eventual campanha do governador de São Paulo ao Palácio do Planalto em 2026.

Segundo parlamentares e dirigentes do PT e do PSOL, partidos de oposição ao governo Tarcísio no estado, a promessa do governador atenta contra a vontade popular, soa como admissão de culpa e o coloca na mira de bolsonaristas mais radicais, contrários à ideia de uma possível candidatura do ex-ministro de Bolsonaro.

“Na hora. Primeiro ato. Porque eu acho que tudo isso que está acontecendo é absolutamente desarrazoado”, disse Tarcísio na sexta-feira (29) ao ser questionado se concederia o indulto a Bolsonaro.

Em junho, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), filho mais velho do ex-presidente, disse em entrevista à Folha de S.Paulo que, para receber o apoio do pai, um presidenciável deveria não só conceder indulto a ele, mas brigar com o STF (Supremo Tribunal Federal) por isso, se necessário.

Os partidos de esquerda calculam que a promessa pode gerar um desgaste para Tarcísio entre eleitores mais ao centro no espectro político, já que o último Datafolha mostrou que 61% dos brasileiros não votariam em um candidato que prometesse livrar Bolsonaro de punições pela atuação na trama golpista.

Para a presidente nacional do PSOL, Paula Coradi, a promessa de Tarcísio, apesar do que foi mostrado pela pesquisa, “demonstra sua completa desconexão com as preocupações da população brasileira”.

“Declarações como essa revelam que seu principal objetivo é se consolidar como o candidato do bolsonarismo, custe o que custar. Isso faz com que a fachada de moderado desmorone, expondo sua verdadeira face: a de um político autoritário, com claro desprezo pela democracia”, disse à reportagem.

Já o líder da bancada do PT na Alesp (Assembleia Legislativa de São Paulo), Antônio Donato (PT), disse que “quanto mais subserviente a Bolsonaro, mais Tarcísio se apequena”.

Na rede social X, ex-Twitter, dois dos ministros de Lula fizeram críticas à fala de Tarcísio. Gleisi Hoffmann (Relações Institucionais) apresentou a tese de que falar em indulto seria uma forma de admitir que Bolsonaro teria, de fato, cometido os crimes pelos quais é investigado -algo que o ex-presidente nega.

“Ao anunciar que seu primeiro ato se fosse presidente seria indultar Bolsonaro, Tarcísio confirma que seu chefe é culpado e que eles não respeitam o estado de direito nem a Justiça”, escreveu Gleisi no domingo (31).

O ministro Paulo Teixeira (Desenvolvimento Agrário) disse que a declaração “é só mais um pedágio que ele (Tarcísio) paga para a família Bolsonaro”.

Embora negue publicamente interesse em disputar a Presidência no próximo ano, Tarcísio vem sendo tratado como presidenciável por aliados, empresários e presidentes de partidos de direita e centro-direita. Em uma conversa com banqueiros em julho, ele já havia admitido a possibilidade de indultar Bolsonaro caso fosse eleito presidente.

O governador já anunciou ao seu entorno que só sairá candidato ao Palácio do Planalto caso Bolsonaro peça. No entanto, o fato de ser tratado como presidenciável por diversos setores tem levantado criticas de bolsonaristas radicais, a começar por Eduardo, filho de Bolsonaro, que busca ser o candidato da direita à Presidência na ausência do pai -que está inelegível, em prisão domiciliar e prestes a ser julgado pela trama golpista.

“Tarcísio nunca te ajudou em nada no STF”, escreveu Eduardo a Jair, em troca de mensagens apreendidas pela Polícia Federal no celular do ex-presidente. Na mesma troca de mensagens, o filho do ex-presidente diz que o governador está “se aquecendo para 2026”.

Eduardo também disse ao pai que trabalhou para desfazer a “ideia plantada” por aliados do governador paulista de que “Tarcísio = Bolsonaro”.

Para parlamentares e dirigentes da esquerda, o fato de o governador paulista prometer o indulto, apesar de soar como apoio ao ex-presidente, pode servir para inflamar ainda mais bolsonaristas descontentes com o posto de herdeiro político de Bolsonaro ao qual Tarcísio é alçado.

Eduardo tirou licença de 120 dias do mandato e viajou, em março, para os Estados Unidos, de onde articula punições a autoridades brasileiras com o objetivo de anistiar o pai

Folhapress | 05:55 – 02/09/2025

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