Vereador Wilson Lands (Avante) criticou o Governo Federal, nesta quinta-feira (8), pela promessa de recursos para recuperar Campo Grande, por conta dos estragos do temporal de 9 de setembro. A fala expõe dificuldade de diálogo institucional da atual gestão.
Na fala, na Câmara, Lands lamenta que a União tenha prometido R$ 40 milhões, mas, até o momento, o aporte para uma situação emergencial não chegou.
''Campo Grande não precisa de promessa. Precisa de resposta. Anunciaram R$ 40 milhões. Então fica a pergunta para o Governo Federal: onde está o recurso?'', cobrou Wilson, que é da base da prefeita Adriane Lopes (PP).
''Porque, até agora, o que chegou foi anúncio, reunião e fotografia'', completou a crítica.
No entanto, a bancada petista rebateu, durante sessão legislativa, que a prefeitura ainda não entregou a documentação necessária para liberação do recurso.
Diálogo
Outros vereadores já apontaram a dificuldade da gestora em dialogar institucionalmente; um dos motivos seria posição ideológica oposta à do Governo Lula. A interlocução, segundo os bastidores, é truncada também com membros da bancada, o que inclui dois senadores da República por MS.
Ausência em eventos federais ou com a presença de membros do Governo Lula igualmente prejudica a gestão municipal, que permanece com recursos minguados. Aliás, foi um deputado do PT que buscou os R$ 40 milhões prometidos para os estragos do temporal.
O pior é que o problema ocorre também no cenário estadual. O ranço da prefeitura por críticas à gestão também pesa na balança na hora de buscar recursos; a própria prefeitura tem fechado a porta para legisladores estaduais que apontam os problemas da cidade.
Contraponto
Situação diferente viveu a gestão Eduardo Riedel (PP) nos últimos três anos e meio. O gestor de MS adotou postura republicana ante o presidente da República, mesmo com marcação ideológica contrária à de Lula. O que era para ser um empecilho na obtenção de recursos teve pouquíssima influência.
Riedel recebeu ministros e, por três vezes, esteve com o presidente da República em MS. Recebeu aparato para conter incêndios florestais no Pantanal; cerca de R$ 1 bilhão para recapeamento de rodovias do Conesul, entre outros.
O gestor de MS chegou, inclusive, a ser elogiado pelo ministro da Fazenda de Lula, Dário Durigan, em momento próximo às eleições deste ano. A capacidade de diálogo entre os entes federativos foi um dos destaques feitos pelo chefe da Economia brasileira.

