Durante sessão na Câmara Municipal de Campo Grande, realizada nesta terça-feira (14), a vereadora Luiza Ribeiro (PT) apresentou denúncia sobre descontos considerados irregulares nos salários de servidores públicos municipais, relacionados a operações de crédito consignado vinculadas ao Banco Master.
Segundo a parlamentar, servidores ativos, aposentados e pensionistas têm relatado cobranças mensais associadas ao cartão consignado conhecido como “Credcesta”. De acordo com os relatos, os descontos, que haviam sido interrompidos durante um período de instabilidade da instituição financeira, voltaram a aparecer recentemente nas folhas de pagamento, agora vinculados ao Banco Master.
A vereadora afirmou que há casos de valores elevados sendo descontados mensalmente. Em um dos exemplos citados, uma servidora relatou um desconto de aproximadamente R$ 580 por mês. Diante da situação, a parlamentar questiona a transparência e a legalidade dessas cobranças.
Como medida imediata, Luiza Ribeiro protocolou uma indicação solicitando a suspensão dos descontos referentes a empréstimos consignados ligados a instituições do Conglomerado Master, incluindo Banco Master S/A, Banco Master de Investimento S/A, Banco Letsbank S/A e outras empresas do grupo. O pedido foi encaminhado à administração municipal e ao IMPCG (Instituto Municipal de Previdência de Campo Grande).
A preocupação também envolve o cenário financeiro do conglomerado. Em novembro de 2025, o Banco Central determinou regime especial para as instituições do grupo, diante de dificuldades econômico-financeiras e apontamentos de irregularidades no Sistema Financeiro Nacional.
Outro ponto destacado é que o IMPCG possui investimento de cerca de R$ 1,39 milhão em Letras Financeiras do Banco Master, modalidade que não conta com cobertura do FGC (Fundo Garantidor de Crédito). Com a liquidação extrajudicial da instituição, o instituto passa a integrar a lista de credores, o que pode impactar a recuperação integral dos valores aplicados.
Além disso, o Banco Master é alvo de investigações no âmbito da Operação Compliance Zero, conduzida pela Polícia Federal, que apura possíveis crimes financeiros relacionados à emissão de títulos de crédito.
A vereadora defende que, diante das incertezas envolvendo o conglomerado e dos relatos apresentados, a suspensão temporária dos descontos é necessária até que a situação seja devidamente esclarecida pelos órgãos competentes.


