A vereadora Giovanna Silvério (PSD), de Naviraí, usou a tribuna da Câmara Municipal para denunciar uma suposta perseguição política após comentários feitos pelo gerente-geral do município, Fauzi Selem, sobre o irmão dela, o ex-vereador Adriano José Silvério. O caso, no entanto, acabou trazendo novamente à tona o histórico judicial de Adriano, que responde a dezenas de processos e já acumula condenações em primeira instância por desvio de recursos públicos.
Segundo as informações, a confusão começou após Fauzi comentar em uma publicação da vereadora nas redes sociais, citando os altos salários recebidos por Adriano no período em que ele acumulava cargos na prefeitura e na Câmara Municipal, além das denúncias de corrupção envolvendo o nome dele.
Giovanna reagiu durante sessão da Câmara realizada no dia 14 de maio, afirmando que o gerente-geral estaria praticando “condutas persecutórias, abusivas ou atentatórias à liberdade de manifestação política”. No dia seguinte, Fauzi procurou a Justiça e apresentou uma queixa-crime contra a parlamentar por difamação e injúria.
Em meio ao embate político, o nome de Adriano José Silvério voltou ao centro das atenções. Conforme levantamento citado no documento, ele possui 27 processos judiciais na comarca de Naviraí, incluindo ações de improbidade administrativa e processos criminais por peculato.
Entre os casos mais conhecidos está a Operação Atenas, deflagrada em 2014 pela Polícia Federal e pelo Ministério Público Estadual para investigar um esquema de fraudes envolvendo diárias na Câmara Municipal de Naviraí. Segundo a investigação, vereadores recebiam valores por viagens inexistentes ou superfaturadas. Adriano, que na época ocupava o cargo de segundo-secretário da Câmara, foi apontado pelo MPMS como integrante do esquema.
Em outubro de 2025, Adriano foi condenado em primeira instância nesse processo. A decisão determinou o ressarcimento de R$ 21,4 mil aos cofres públicos, suspensão dos direitos políticos por oito anos, multa civil e proibição de contratar com o poder público por dez anos. A condenação ainda cabe recurso.
Outro grupo de processos envolve o período em que Adriano presidiu o Sindicato dos Funcionários Públicos Municipais de Naviraí. Segundo as ações, ele teria utilizado convênios com postos de combustíveis e empresas para abastecer veículos particulares e obter benefícios pagos com recursos do sindicato. Somados, os prejuízos identificados nesses processos ultrapassam R$ 27 mil.
Já o maior caso ainda em andamento é a chamada “Operação Destilação Fracionada”, que investiga um suposto esquema de abastecimentos fraudulentos utilizando cartões magnéticos ligados à prefeitura. Conforme o Ministério Público, Adriano seria apontado como líder do grupo investigado. O prejuízo apurado chega a R$ 218,6 mil. O processo está em fase de alegações finais.
Ao todo, conforme os dados levantados no portal do Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul, os valores dos desvios já documentados em ações sentenciadas superam R$ 245 mil, sem contar os processos que ainda aguardam julgamento.

