quarta-feira, setembro 30, 2026

Prefeitura de SP levanta suspeita sobre R$ 13 milhões de ONG ligada a produtora de ‘Dark Horse’

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Ao todo, os valores questionados somam R$ 13,4 milhões. O total do contrato, firmado em 2024 com a gestão do prefeito Ricardo Nunes (MDB), tem valor de R$ 108 milhões.

O ICB é presidido por Karina Ferreira da Gama, proprietária da Go Up Produções, que foi a produtora do filme bancado por Daniel Vorcaro, dono do Banco Master.

Segundo ofício da Secretaria Municipal de Inovação e Tecnologia, a maior parte das notas questionadas (R$ 10,6 milhões) não especifica áreas geográficas atendidas nem os serviços prestados. Esses documentos fiscais foram emitidos por Favela Conectada Serviço e Tecnologia, Complexsys Soluções Integradas, Make One Tecnologia Digital e Ultra IP.

Assim como o instituto, essas empresas foram alvos de uma operação de busca e apreensão deflagrada em junho pela Polícia Civil de São Paulo. A medida foi criticada pelo pré-candidato e senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e pelo prefeito.

As investigações apuram se houve desvio de recursos e se parte do valor do contrato foi usado para financiar o filme “Dark Horse”, que conta a história do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).

Ao todo, outros R$ 906 mil estão sendo questionados pela Secretaria Municipal de Inovação e Tecnologia por cancelamento das notas fiscais. A empresa Favela Conectada aparece mais uma vez nessa categoria. O documento no valor de R$ 500 mil foi emitido em 24 de junho de 2025 e cancelado em 4 de julho de 2025.

Segundo a secretaria municipal, a empresa informa na descrição da nota que houve apenas “prestação de serviços conforme contrato”. Caso o ICB não regularize a prestação de contas, o valor deverá ser imediatamente restituído.

As demais categorias discriminadas no ofício correspondem a R$ 1,3 milhão e apontam falta de lastro bancário, notas sem valor fiscal, endereços incompatíveis, pagamentos antecipados e ausência de relatórios técnicos de pesquisas e de serviços de comunicação.

A secretaria informou que a cobrança das notas não é imediata e que o ICB tem um prazo de 30 dias para regularizar a situação. A fiscalização, diz a pasta, faz parte da rotina e acontece semestralmente de maneira periódica.

“Não houve pedido de devolução imediata de valores até o momento. Na notificação feita ao ICB, houve a sinalização formal de inconsistências identificadas durante a análise da prestação de contas e a glosa temporária até o prazo final para que a organização se justifique ou regularize a documentação pendente. A avaliação final sobre eventuais glosas definitivas do semestre avaliado, portanto, só ocorrerá depois dessa etapa”, diz.

Em nota, Karina Gama afirmou que “os fatos serão devidamente esclarecidos e que as informações e documentos apresentados demonstrarão a regularidade da execução das parcerias”.

“O ICB permanece colaborando integralmente com o ente público, prestando todos os esclarecimentos técnicos e documentais necessários para demonstrar a regular execução dos projetos e a correta aplicação dos recursos públicos”, diz o comunicado.

Leia Também: Bolsonaristas abrem fogo amigo e criticam pré-campanha de Flávio

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