quarta-feira, setembro 30, 2026

Sob onda de calor, Europa Ocidental vive junho mais quente da história, aponta Copernicus

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O mês de maio também havia sido o segundo mais quente já registrado.

Segundo o Centro Europeu de Previsões Meteorológicas de Médio Prazo (ECMWF, na sigla em inglês), o continente, além do início da terceira canícula da temporada, também apresenta seca generalizada. Associada às altas temperaturas, a condição favorece a ocorrência de incêndios florestais em Portugal, Espanha e na França.

Há uma sobreposição de fenômenos. A onda de calor de junho exacerbou a seca que já havia sido alimentada pela canícula de maio. O problema prejudica a navegação em diversos rios importantes da Europa, assim como compromete parte da produção agrícola.

“Junho de 2026 destacou a profundidade da mudança climática. A Europa Ocidental registrou o mês de junho mais quente da história, e os oceanos continuaram apresentando temperaturas recordes. Juntas, essas marcas refletem um sistema climático que continua acumulando calor”, afirma Samantha Burgess, coordenadora do ECMWF.

“O resultado são ondas de calor cada vez mais intensas, um oceano persistentemente quente e riscos crescentes para pessoas, ecossistemas e infraestrutura.”

Enquanto cidades como Lisboa, Madri e Paris já sentem os efeitos da terceira onda de calor no ano, com alertas e termômetros bem acima dos 30°C, a contabilidade dos estragos da segunda canícula segue em curso.

Análise de acadêmicos mostra que o excesso de mortes na França provocado pelas altas temperaturas deve chegar a 2.700, superior aos 2.025 óbitos declarados oficialmente até aqui.

Na Alemanha, uma projeção inicial do Escritório Federal de Estatísticas aponta para um quadro ainda pior, 5.655 mortes a mais do que a média verificada no mesmo período nos últimos quatro anos. O país também registrou um recorde nacional de temperatura, 41,7°C.

Em Berlim, os termômetros chegaram a 39,9°C, nível sem precedentes na capital alemã.

Segundo estudo do World Weather Attribution (WWA), capitaneado por cientistas do Imperial College, de Londres, a onda de calor de junho foi a mais severa da história do continente. As altas temperaturas registradas em diversos pontos da Europa seriam impossíveis de ocorrer há 50 anos, mostrou a pesquisa.

A mudança climática, causada principalmente pela queima de petróleo, carvão e gás, é o principal motor das ondas de calor. A Europa, por sua vez, é o continente que mais rapidamente aquece, também em função do comportamento anômalo dos oceanos.

Em junho, a marca global de temperatura da superfície de mares e oceanos também foi recorde, superando a de junho de 2024 por 0,01°C. Segundo o Copernicus, reflexo já do desenvolvimento de um forte El Niño no Pacífico Equatorial.

Na Europa Ocidental, porção do continente mais afetada pelas ondas de calor, junho chegou à marca de 20,74°C, 3,05°C acima do período de referência (1991-2020). Derrubou o recorde anterior para o mês, visto no ano passado.

Em termos globais, junho deste ano foi o segundo mais quente da história, com 16,54°, atrás apenas de junho de 2024. Na comparação histórica, o mês ficou 1,39°C acima da média estimada para o período pré-industrial (1850-1900).

Cientistas projetam que o planeta superará o 1,5°C de aquecimento global, limite que os países signatários do Acordo de Paris concordaram respeitar, ainda nesta década.

Leia Também: Mulher é indiciada por homicídio após dizer que vacinas matou filhos

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