O vereador Landmark Rios (PT) denunciou, durante sessão desta quinta-feira (23) na Câmara Municipal de Campo Grande, o abandono da área conhecida como Porto Seco e cobrou uma destinação urgente para o espaço, que já recebeu investimentos milionários, mas segue sem uso definido.
De acordo com o parlamentar, a situação ficou ainda mais evidente após uma tentativa de ocupação no local, no último domingo, coordenada pelo MST (Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra), que reuniu mais de 220 famílias. Landmark relatou que esteve na área junto a outros vereadores e autoridades, e que houve necessidade de mobilização de forças de segurança, diante da presença de muitas crianças no local. Ao final do dia, segundo ele, foi possível convencer as famílias a deixarem a área.
Durante o discurso, o vereador destacou que o espaço possui cerca de 70 hectares e já recebeu mais de R$ 30 milhões em investimentos públicos, mas nunca teve um projeto efetivamente implementado. “Não tem nenhuma destinação até hoje, nenhum projeto, nada funcionando. É uma inoperância muito grande do município”, criticou.
Landmark também relacionou o abandono do Porto Seco à falta de planejamento diante de projetos estratégicos, como a Rota Bioceânica, que promete ampliar a logística e o escoamento de produção na região. Para ele, a ausência de iniciativas concretas no local contrasta com o potencial econômico anunciado para Campo Grande.
Como alternativa, o vereador defendeu que a área seja destinada à moradia popular. Segundo ele, o espaço já conta com infraestrutura, como pavimentação interna, e está localizado próximo a comunidades em situação de vulnerabilidade. “Se não vai ser o Porto Seco, que seja destinado para habitação social. Dá para assentar famílias, construir casas e até desenvolver produção”, sugeriu.
A proposta recebeu apoio do presidente da Casa, Papy (PSDB), que também criticou a falta de avanço no projeto original do Porto Seco. Ele lembrou que a área foi concebida para abrigar um complexo logístico, com capacidade para estacionamento de centenas de carretas, integração ferroviária e instalação de empresas do setor.
Segundo Papy, o projeto previa concessão pública, mas a transferência para o concessionário nunca foi efetivada, o que teria contribuído para a deterioração do espaço. “É um investimento que ficou perdido ao longo dos anos. Hoje, o local está sucateado, com dinheiro público desperdiçado”, afirmou.
O presidente da Câmara defendeu a união entre poder público e iniciativa privada para buscar soluções, sem descartar a possibilidade de destinar parte da área para habitação social. Já Landmark reforçou a necessidade de uma resposta concreta do município para evitar que o espaço continue abandonado.
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