O policial militar Ricker Maximiano de Moraes, acusado de matar a esposa, Gabrieli Daniel de Souza, de 31 anos, será julgado pelo Tribunal do Júri. O crime ocorreu no ano passado, em Cuiabá. A decisão é do juiz Valter Fabrício Simioni da Silva, da 1ª Vara de Violência Doméstica e Familiar Contra a Mulher da capital, e foi dada nessa terça-feira (25).
O juiz entendeu que há elementos suficientes para que o caso seja analisado pelos jurados. Ricker responderá por feminicídio no contexto de violência doméstica. A acusação também aponta que o crime teria ocorrido na presença dos filhos, contra uma vítima que era mãe, e de uma forma que dificultou a defesa dela. A decisão não significa condenação: a culpa ou inocência será decidida no julgamento.
O juiz manteve a prisão de Ricker e decidiu que ele não poderá aguardar o julgamento em liberdade. O policial continuará preso na Cadeia Pública de Chapada dos Guimarães.
A decisão também determina que ele continue recebendo acompanhamento psiquiátrico e os medicamentos prescritos. Caso a cadeia não consiga oferecer o tratamento necessário, a direção da unidade deverá avisar imediatamente à Justiça.
Esta última determinação tem relação com o laudo psiquiátrico do exame de insanidade mental a qual Ricker foi submetido, que atestou transtorno psicótico não especificado. Ele foi considerado semi-imputável, mas mesmo assim, irá a júri popular. O crime completou um ano em 25 de maio.

Absolvição sumária é negada
Ainda conforme o documento, a defesa de Ricker sustentou a absolvição imprópria por inimputabilidade plena ou o reconhecimento da semi-imputabilidade após o laudo pericial psiquiátrico.
Porém, foi concluído que o acusado, ao tempo da ação, tinha capacidade de entendimento parcialmente preservada e capacidade de autodeterminação significativamente comprometida, quadro compatível com a semi-imputabilidade.
O laudo foi homologado por decisão judicial que reconheceu a semi-imputabilidade do acusado ao tempo do crime, tendo o incidente transitado em julgado em 24 de agosto. Diante disso, a Justiça entendeu que ele pode ser julgado pelo Tribunal do Júri.
O feminicídio
Segundo a denúncia do Ministério Público (MPMT) Gabrieli foi morta com três tiros de pistola, sendo um deles no rosto, em 25 de maio de 2025, na casa da família, no bairro Praiero, em Cuiabá. Após os disparos, Ricker levou os dois filhos do casal para a casa dos pais dele e fugiu, deixando o corpo da esposa na residência.
A vítima foi morta na cozinha da residência do casal. Testemunhas disseram que o acusado havia feito os disparos e levado os filhos para a casa dos pais. O pai do réu entregou aos policiais a arma usada no crime. A irmã e o pai também relataram que o acusado chegou desesperado e admitiu ter matado a esposa.

A mãe da vítima contou que o acusado tinha comportamento ciumento, controlador e possessivo. Em depoimento, o próprio réu confessou ter atirado três vezes contra a esposa.
Segundo ele, houve uma discussão e, em meio a forte abalo emocional e estresse relacionado ao trabalho, pegou a arma e fez os disparos. Depois, levou os filhos para a casa dos pais.
O laudo de necropsia atestou que o óbito de Gabrieli foi causado por choque hemorrágico decorrente de disparos de arma de fogo no coração, na face e na região do peito.
O laudo de balística forense comprovou que os projéteis extraídos do corpo e os estojos encontrados no local foram percutidos e deflagrados pela pistola Taurus calibre.40, pertencente à Polícia Militar e acautelada pelo acusado.


