As investigações sobre a morte de Vitor Orsini, em Dourados, comprovaram que o jovem de apenas 19 anos foi executado por engano, em uma emboscada que não era para ele. Os detalhes do caso foram revelados pela Polícia Civil nesta quarta-feira (26); até o momento, três homens estão presos, um adolescente apreendido e dois suspeitos foragidos.
As informações sobre o crime foram repassadas em coletiva de imprensa pelo delegado Lucas Veppo. Vitor foi ferido a tiros dentro de uma garagem de veículos no bairro Jardim Água Boa, em Dourados, na frente do pai. Ele chegou a ser socorrido, mas não resistiu aos ferimentos.
Segundo o delegado, logo após o crime, que foi registrado pelas câmeras de segurança do local, a família entregou o celular e o computador do jovem para auxiliar na investigação. Nas buscas pelos aparelhos, uma mensagem enviada ao rapaz chamou a atenção da polícia: era a negociação de um veículo, mas a pessoa do outro lado da linha marcava uma conversa exatamente no local e no horário do crime.
Nenhum outro indício de motivação foi encontrado: Vitor não tinha envolvimento com nada ilícito, não havia se envolvido em brigas ou desentendimentos. Nada que o transformasse em alvo de um crime tão cruel.
Não demorou para a polícia identificar os envolvidos no crime. Os primeiros presos foram Denis Barbosa de Melo, de 22 anos, que efetuou os tiros, e um adolescente, de 17 anos.
O executor foi preso em Ponta Porã e contou que era de Brasília, mas já morava na cidade sul-mato-grossense há alguns meses com a missão de levar drogas para a capital do Brasil e também para outras grandes cidades. Nesse tempo, cerca de três ou quatro meses, adquiriu uma dívida e, para quitar, foi “contratado” para o crime.
No dia 7 de agosto, ele e o comparsa, Alexander Gonçalves Borges, de 27 anos, foram levados para Dourados. Antes, viram uma foto do alvo da execução pelo celular e receberam a informação de que ele estaria às 14 horas na garagem. Na segunda maior cidade do estado, eles foram apresentados ao adolescente que, horas antes, havia furtado a motocicleta utilizada pela dupla no crime.
O adolescente ainda mostrou o endereço da garagem para a dupla de executores e, na hora marcada, os dois foram ao local.
Segundo o delegado, o que aconteceu naquele dia foi um engano. Alexandre, o piloto da motocicleta, foi o responsável por confirmar se Vitor era a vítima, mas, para a polícia, ele não tinha condições para isso. “Ele tem histórico de uso de entorpecentes e confessou, depois de preso, que estava sob efeito de drogas no dia”.
Sem condições de reconhecer o alvo apenas pela foto, o executor desceu da moto, foi até Vitor e disparou. “Acreditamos que a única informação que tinham era de que o alvo estaria conversando com o pai do Vitor naquele horário”.
Com depoimentos, um novo suspeito foi identificado: Cláudio Henrique de Arruda, de 43 anos, empresário e dono de uma academia em Ponta Porã.

O verdadeiro alvo
Com o decorrer das apurações, a polícia chegou ao verdadeiro alvo da emboscada. Ele foi ouvido e contou à polícia que realmente marcou um encontro na garagem, mas, no dia, estava com a esposa e se atrasou. Quando finalmente liberou e estava a caminho do local, descobriu sobre a morte de Vitor.
O homem também ajudou a polícia a chegar a uma possível motivação para o crime.
Ele contou que conhecia Claudio Henrique de Arruda há pelo menos 15 anos. Os dois, segundo o delegado, têm envolvimento com o tráfico de drogas e já foram presos juntos. Recentemente, o empresário fez uma dívida com a possível vítima, que começou com R$ 250 mil e já ultrapassava os R$ 300 mil.
Para a investigação, foi esse “desacerto financeiro” que levou à organização da emboscada. Apesar disso, outras hipóteses ainda não foram descartadas.
Foragidos
Cláudio, Denis, Alexandre e o adolescente estão detidos, mas outros dois suspeitos seguem foragidos.
Nesta semana, a polícia divulgou o nome e as fotos de ambos: Jeferson Lopes, de 31 anos, e Marcos Antonio Olmedo Vera, de 23 anos.
De acordo com o delegado, eles ajudaram na organização do crime, levaram os pistoleiros para Dourados e ainda ficaram na região da garagem para confirmar a execução.
Quem tiver informações que possam ajudar a localizar a dupla pode entrar em contato com o Setor de Investigações Gerais de Dourados (SIG), pelo telefone (67) 99987-9826.

