Vitoria Sara Bezerra Lupatini, alvo de prisão preventiva durante a Operação Pátio Paralelo deflagrada nesta quarta-feira (26), está foragida e é procurada pela Polícia Civil por crimes de furto qualificado e associação criminosa. A jovem é apontada pela investigação como responsável por atuar como vendedora da concessionária Toyota e ser “peça central” em esquema que teria movimentado cerca de R$ 50 milhões em contas bancárias no período de um ano.
O Primeira Página busca contato da defesa da suspeita para um posicionamento sobre as investigações. Espaço segue aberto para manifestação.
Conforme a Polícia Civil, somente Vitória Sara teria movimentado R$ 8 milhões em sua conta bancária pessoal durante um ano. Ela é apontada como responsável por captar clientes, conduzir negociações, receber os veículos, indicar as contas para os pagamentos e movimentar os recursos.
O prejuízo causado às vítimas, até o momento é calculado em R$ 2 milhões, mas segundo as autoridades policiais, o valor pode aumentar a medida que mais vítimas buscam a delegacia de polícia para denunciar os golpes sofridos.
Até o momento, entre 15 e 20 possíveis vítimas foram identificadas, mas a polícia acredita que esse número poderá aumentar.
Segundo o delegado Thiago Meira a suspeita é investigada também por outros possíveis crimes na cidade. “Ela vem cometendo delitos relacionados a furtos, delitos, entre outros”, disse.

‘Modus operandi’ do esquema
Segundo a investigações, os clientes procuravam a concessionária para comprar veículos novos. Na negociação, entregavam o automóvel usado como parte do pagamento ou transferiam valores referentes à entrada.
No entanto, os carros usados não eram registrados nem contabilizados pela concessionária. Eles teriam sido desviados para outra garagem de Sorriso, também alvo das buscas realizadas nesta quarta-feira.
Os pagamentos, por sua vez, eram direcionados para contas pessoais de Vitória Sara ou de pessoas e empresas relacionadas ao grupo, em vez de serem depositados na conta da concessionária.
As vítimas percebiam o problema posteriormente, ao consultar o financiamento e constatar que o valor entregue como entrada não havia sido abatido da dívida.

Operação Pátio Paralelo
Além do mandado de prisão preventiva de Vitória Sara, mais de 20 ordens judiciais foram expedidas, e sete de busca e apreensão, nove afastamentos de sigilo bancário e cinco bloqueios de ativos financeiros.
Computadores, celulares, documentos, contratos, comprovantes de transferências e registros financeiros também estão entre os materiais que poderiam ser recolhidos durante a operação.
A próxima etapa da investigação será a análise dos aparelhos apreendidos e das movimentações bancárias. A Polícia Civil pretende identificar a destinação final dos veículos e dos valores, localizar novas vítimas e apurar se outras pessoas ou empresas participaram do esquema.
O nome Pátio Paralelo faz referência ao caminho dado aos carros entregues pelos clientes. Em vez de seguirem o fluxo regular da concessionária, os veículos teriam sido direcionados para um circuito paralelo de negociação.


